O ego não existe. Mas como assim que não existe, se ele fica soprando na minha orelha o tempo inteiro.

O ego está lá, mas assim como um programa de computador, não existe na realidade. É como a inteligência artificial que, fora de controle, pode fazer muito estrago aqui do lado de fora.

Acontece que os comandos do ego só se realizam quando você materializa esse comando, seja exteriorizando agressividade, ódio, infringindo sofrimento aos outros ou a si mesmo.

E a base de dados dos pensamentos vem do passado. Por exemplo, duas pessoas se encontram e sentem vontade de começar um relacionamento amoroso. Geralmente as perguntas que fazem um ao outro são sobre o que você não quer que aconteça novamente: você é confiável, você tem outra pessoa, você é ciumento, você já se desligou emocionalmente do seu último relacionamento e por aí vai.

As perguntas podem não ser diretas assim, mas você vai dar um jeito de perguntar, de acordo com os fantasmas do seu passado.

Nada contra, apenas o bicho pega quando você acredita tanto no passado que ele te faz sofrer hoje.

Outro exemplo. Alguém caiu em uma moita de espinhos, se machucou bastante e chegou a sangrar. Mesmo depois de um bom tempo, lembrar dessa cena pode trazer aquela dor de volta. Mesmo que hoje não exista um ferimento sequer em seu corpo, só de lembrar, você parece sentir aquela dor novamente.

Todo o ego gira em torno desse programa de reavivar os fantasmas do passado e de como se prevenir desses fantasmas no futuro. Quando criança, gostava de brincar com fantoches. Eles ficavam em uma caixa no sótão da casa do meu avô. Eles criavam vida quando brincávamos com eles. Enfiávamos nossas mãos dentro daquele pano, os dedos movendo seus braços e a cabeça, e emprestávamos a nossa voz para eles. Depois da brincadeira, voltavam para a caixa onde perdiam vida novamente, e ali ficavam, talvez esperando para serem reavivados em outra ocasião.

Mas reavivar os fantasmas do passado não é uma brincadeira prazerosa. Gosto da analogia de que a mente, o ego é como um dragão. Indomado, ele pode te fazer se pendurar em uma árvore com uma corda no pescoço. A seu serviço, você poderá voar em suas asas e realizar tudo o que você queira realizar nesse mundo.

E na ausência do ego…ah, essa é a melhor parte, aí está o silêncio, a contemplação, o ser humano completo em que a alegria é a sua maior expressão.

Antonio Celidonio Rocha
Escritor e Coach de Propósito de Vida