É domingo de manhã, pego o carro para ir a uma praia distante de onde moro. No caminho, uma pessoa atravessa a rua levando de baixo do braço um tapete de praticar yoga ou alguma meditação. Ele está indo à igreja, penso comigo. À igreja do encontro consigo mesmo. O templo sagrado onde mora o Criador.

Fico inspirado com essa cena, aumento o volume de uma música new age e começo a ficar eufórico. Mas logo desisto. Percebo que essa euforia está vindo da mente, pois me conecto com meu coração e vejo que simplesmente está em paz. E a minha cabeça começa a me dizer que o dia está lindo, que estou indo fazer uma trilha e, portanto, que só sentir paz é pouco, que algo está errado, que eu deveria estar mais radiante.

No começo considero válidas essas argumentações. Que talvez eu deveria mesmo estar mais eufórico e, se não estou, deve haver algo errado comigo. Agora, escrevendo esse texto, me dou conta de que tudo que a mente quer é arrumar um problema. Talvez como um borracheiro que fica feliz quando alguém fura um pneu, pois aí ele poderá entrar em ação e receber o seu dinheiro. No caso da mente, receber a sua atenção.

Volto a consultar o meu coração e, novamente, tudo que encontro é paz. Escolho a paz e sigo o meu caminho avistando pessoas, montanhas e pássaros.

Relembro a cena do tapete de yoga e fico feliz por essa nova igreja, a do templo interior. A chave do tesouro que abriga a riqueza do amor, da generosidade e da paz.

Ainda no carro, gosto desse termo…a nova igreja, e começo a me enamorar por ele.

Mas em seguida me dou conta de que esse templo interior já é venerado há milhares de anos. E que foram os sábios, cada um em sua época, que carregaram a tocha do amor e assim foram como verdadeiros faróis, trazendo luz durante toda a história da humanidade. Eu tive a sorte de ter encontrado com um deles e foi quem me deu a certeza de que dentro de mim está o que estou buscando.

Sim, a nova igreja é a mesma da velha igreja. E me sinto inspirado e otimista com o futuro da humanidade ao ver mais e mais pessoas visitando esse templo, que está dentro de cada um de nós.