Ela precisava de alimento e foi procurando o seu espaço. No início, pequena, quase não era notada, mas estava lá e se revelou ambiciosa. Não queria servir como vinha fazendo, queria todo alimento que pudesse encontrar e para isso sabia que precisava estar no comando.

Aos poucos, foi ganhando mais atenção, mas a sua fome só aumentava. Nunca estava satisfeita, não queria apenas fazer parte do mundo, queria toda a atenção só para si.

Conforme ganhava espaço, foi tornando-se extremamente hábil no convencimento de ser ouvida e de receber o que queria. Ela tinha ótimos argumentos.

E não havia limites para o que se dispunha a fazer, contanto que fosse alimentada. É, ela só se importava com ela mesma.

E assim, foi deixando um rastro de sofrimento, sangue e lágrimas por onde passava.

Apagava a luz das pessoas, deixando-as cegas de tudo que não servisse aos seus propósitos.

Hipnotizava suas presas, colocando-as em sono profundo para conseguir o que queria.

Em seu cativeiro, tudo era artificial. A falsa impressão de vida era muito bem maquiada pelas histórias que contava para suas vítimas, que assim lhe entregavam o que tinham de mais precioso.

Um parasita, sim, ela era um parasita de energia.

Mas não queria que a sua real identidade fosse descoberta. Juntava mais e mais argumentos, histórias e mais histórias para que o corpo em que parasitava achasse que aquilo, aquele transe, fosse a realidade.

Como uma doença que por fim mata o próprio corpo em que habita, assim ela o fazia com muitas de suas vítimas. Ardilosa, sim, mas sua inteligência sucumbia à própria ganância.

Espalhou a ideia de que era um mecanismo de defesa, no entanto, foram inúmeras as suas vítimas fatais.

Até hoje ela luta ferozmente para não ser descoberta. Ela ainda quer a sua energia. Quando você se afasta, ela grita, te aterroriza, te enche de argumentos para que você volte para perto dela.

Não resta dúvida de que ela se disfarça muito bem. E faz de tudo para que você não perceba que é ela quem move a maior parte da sua vida.

Com unhas e dentes, ela, a mente, luta para não ser desmascarada a ponto de suas próprias vítimas começarem a defende-la.

É o seu caso?


Antonio Celidonio Rocha