Estava conversando com uma pessoa, na casa dos seus 85 anos, e ela me dizia que estamos aqui emprestados.

Por conta da sua idade – e isso já lhe dava autoridade para falar desse assunto – ela tinha visto muita gente partir, inclusive seu marido, pescador, por conta de uma fatalidade no mar.

Emprestado…fiquei pensando a respeito desse termo que ela usou. Na hora não achei que aquela palavra definia bem o que ela queria dizer.

Mas depois lembrei que emprestado é algo que tem que ser devolvido. E não é assim com essa vida? Temos o presente de estar vivo, mas que um dia terá que ser devolvido?

Como um hotel em câmara lenta, os visitantes dessa Terra vêm, ficam por um período e se vão. Por isso, cada dia, cada segundo aqui é precioso.

Quando meus filhos eram pequenos, muitas vezes eles eram convidados para aquelas festas em um buffet infantil com todos aqueles brinquedos. Por tratar-se de um espaço alugado, no convite já vinha impresso o horário de início e o horário de término. Geralmente eram 3 horas, ou seja, uma festa com horário para terminar. Como eles gostavam muito dos brinquedos, eu os deixava na porta buffet bem no horário de início para que eles pudessem aproveitar ao máximo aquele período de tempo.

Da mesma forma a vida de cada um de nós tem um tempo limitado, mas que não sabemos quando será o dia do check out.

Por isso, não adie os seus sonhos, não adie a felicidade para um amanhã, não guarde aquela camisa para um dia especial.
Entre na festa agora, pois o presente da vida um dia terá que ser devolvido.

É… a Dona Virica foi precisa, estamos aqui emprestados.

Antonio Celidonio Rocha