Não sei se vou explicar isso direito. Bom, vamos começar assim: outro dia vi o post de uma amiga que dizia “eu não acredito em bruxas, mas que eu existo, eu existo”.

Em um sábado ameaçando chuva, estava a caminho de fazer uma oficina sobre autoconhecimento em um evento em que várias atividades alternativas, ou holísticas, se preferir, eram oferecidas aos participantes: massagens, reiki, constelação familiar, auriculoterapia, plantas alimentícias não convencionais, astrologia, spa dos pés, barras de access entre outras.

Durante o trajeto, olho pelo retrovisor e vejo uma lambreta branca, dirigida por uma moça de capacete branco, uma jaqueta jeans branca com uma calça salmão esvoaçante. Estava um visual bonito e por um tempo ela permaneceu atrás do meu carro, até que me ultrapassou e lá foi ela em alguma missão pelo mundo.

Não sei porque, mas tive a sensação de que ela era uma bruxa com aquela calça de um gênio da lâmpada e que a moto era a sua vassoura disfarçada. E deixei minha imaginação correr, imaginando aonde ela ia e o que iria fazer.

E me lembrei do post dessa amiga sobre ser bruxa. Deve existir algo aí porque muitas mulheres se auto intitulam, ou gostam de serem chamadas de bruxas.

Para mim os mistérios de uma mulher são insondáveis e, de uma certa forma, gosto que seja assim. Intuição, amor, cuidado, emoção e mais segredos que nem imagino fazem parte do seu caldeirão.

Elas estão por toda parte. Umas assumem o seu lado bruxa, enquanto outras são tímidas, talvez com medo do próprio poder. E tem acontecido de me encontrar com bruxas ultimamente. Às vezes, basta um pouco de conversa e logo percebo que estou falando com uma delas.

Das assumidas, recebi até um cartão de visitas que tinha embaixo do nome o título Bruxa Artista. Adorei o título. Achei de um charme, uma graça, a maneira como ela se apresentou em uma roda de conversas.

Quando cheguei na frente do espaço holístico onde iria fazer a oficina, minhas suspeitas se confirmaram: avistei a moça da jaqueta branca e calça esvoaçante retirando uma pequena mala debaixo do banco da sua lambreta.

Sim, as bruxas adoram esses espaços holísticos. Ali elas podem exercer os seus poderes de cura e também receber a cura de que todos nós precisamos.

Após ter realizado a oficina, sem ter planejado, acabei sendo atendido pela moça da lambreta. Ela veio medir como estavam os meus chakras, usando umas varetas de metal que giravam como ponteiros de um relógio em suas mãos até pararem em determinada posição. E pela expressão em seu rosto, ela sabia exatamente o que aquilo significava.

Adoro ver a nova era acontecendo em frente dos meus olhos e as imagens que me ficam são os enormes sorrisos que vejo no rosto das pessoas. Os primeiros raios de sol começam a surgir ao mesmo tempo em que se dissipam, em nós humanos, as amarras do passado e o medo do futuro.

Antonio Celidonio Rocha