Muita gente fica esperando pela sexta feira ou pelo sábado. Não é o meu caso, talvez pela particularidade do meu trabalho e de onde eu moro.

Mas eu espero pela quinta feira.

É o dia que passa o caminhão que recolhe o lixo reciclável, também conhecido como lixo seco.

Esse dia para mim é importante. O caminhão passa logo cedo e se eu não colocar as sacolas na calçada para serem recolhidas, vou ficar mais uma semana com aqueles sacos cheios de plásticos e embalagens em casa.

Quando será que vamos nos ver livres desse plástico. Contamina rios, matas e oceanos. Sim, oceanos. São toneladas que vão parar no mar todos os dias. E, por consequência, vejo com tristeza a morte de animais marinhos. Em suas barrigas são encontradas uma grande quantidade de plásticos que, por terem sido confundidos com alimentos, por fim, causam a morte de peixes, pássaros, tartarugas.

Os plásticos também vão parar nas praias, profanando esses verdadeiros santuários.

Outro dia estava caminhando na praia em que moro e avistei um grupo de jovens voluntários recolhendo lixo. Estavam na faixa entre 15 e 20 anos de idade. Cada um com uma luva preta e um saco de linhagem, recolhiam garrafas, tampas, canudos, embalagens e outros artefatos de plástico e de isopor que encontravam pelo caminho.

Entreguei o que tinha recolhido na minha caminhada e os agradeci profundamente por estarem fazendo aquela limpeza.

Muitas pessoas ainda vão continuar jogando lixo na natureza, pois ainda não estão conectadas com ela. E como não estar conectado com a natureza, se ela está à nossa volta o tempo todo? Mesmo nas grandes cidades, existem pássaros, árvores, o ar que respiramos.

A desconexão é com o agora, com o que é real; o que vemos são pessoas vivendo na dimensão dos pensamentos, das ilusões com suas justificativas insanas, perdendo de perceber a beleza da vida.

Somente a mente para achar divertido maltratar pessoas e animais. Somente a mente para gostar de jogar o jogo da inconsciência, de não estar nem aí para nada nem para ninguém.

A verdadeira diversão está no amor, na paz, na contemplação da natureza e do existir.

Um dia, será maior o número de pessoas que recolhem do que as que jogam lixo; das que plantam e as que desmatam; das que cuidam e as que não se importam; das que amam e as que não vivem o amor que têm em seus corações.

E, quando isso acontecer, as plantas, os animais, oceanos, rios e florestas celebrarão a volta do filho perdido que, enfim, retorna para casa e para a sua família que vive em harmonia e no eterno agora.