Aconteceu comigo e pode ter acontecido com você também. De alguma maneira, nascemos em um lugar em que uma determinada religião estava estabelecida naquele ambiente social ou familiar.

No meu caso, nasci em uma família católica, não exatamente praticante, mas que se auto definia como tal. Fui batizado, fiz a primeira comunhão e depois vieram os questionamentos. Para mim, havia muitas coisas mal explicadas e muitas das práticas da igreja, ao longo da história, permeadas de manipulação e poder.

Assim, de forma equivocada, Jesus acabou entrando nesse bolo, gerando uma associação negativa com seu nome como se ele fosse o chefe ou o responsável pela má conduta de membros da igreja.

Assim a religião, cuja origem da palavra designa religação, passou a ser a des-ligação com o divino.

Ainda como outros efeitos colaterais do ambiente social em que nasci, as demais religiões eram vistas de modo distante, como se nada fosse bom ou tivesse coisas boas para ensinar. Uma conversa de que apenas, no meu caso, a religião da minha família era o caminho para Deus.

Mestres, gurus, líderes espirituais, divindades, umbanda, hinduísmo, deuses, santos pagãos não eram dignos de crédito se não fizessem parte daquela estrutura religiosa. Uma clausura com uma única e pequena janela.

Além do mais, Deus era um cara bastante nervoso, sempre pronto para punir. Alguém que eventualmente poderia nos conceder algum pedido mediante promessas com provas de sacrifício.

Acabei por temer a Deus, a olhar desconfiado para outras religiões e ser incrédulo em relação às novas divindades que vinha a conhecer. O mundo passou a ser bastante pragmático em que tudo dependia de mim e, Deus, à parte da minha vida.

Fechado em verdades absolutas, me vi um adulto adolescente que achava que sabia tudo da parte espiritual. Por mais aberto que me tornei depois, me descobri ainda olhando desconfiado, temeroso para santos, divindades e mestres que não faziam parte da minha visão atual. Não sabia qual era a deles e sentia medo.

Iemanjá, Oxum, São Miguel Arcanjo, São Irineu, Jesus, Ganesha, Krishna, Cabala, Budismo, rituais indígenas, Espiritismo, Xamanismo e tantos outros, fiz as pazes com todos eles, pois descobri que todos vêm da mesma origem: o amor.

E não importa o que os desvios humanos fizeram dessas divindades, e até do próprio Deus, a sua única fonte sempre foi e será o amor.

Agora os recebo todos em meu coração. O temor do desconhecido e de punições foi embora e me sinto um filho pedindo para ser cuidado por eles. Hoje compreendo que todos representam o Grande Amor e que a sua única intenção, assim como uma mãe zelosa por seu filho, é derramar o seu amor sobre nós.

Antonio Celidonio Rocha